Conecte-se conosco

Mundo

Covid-19: segunda onda na China sugere mutações no vírus

Publicado

em

Pessoas ficam doentes por mais tempo e demoram mais para apresentar sintomas, dizem médicos que acompanham os novos casos no nordeste do país.

Foto: TPG/Getty Images

Depois de ser o epicentro inicial da pandemia e controlar a crise com lockdowns extremos, a China agora está enfrentando uma segunda onda de casos de Covid-19, desta vez no nordeste do país. As provínciais de Heilongjiang  e Jilin já registraram novos casos de transmissão comunitária, o que fez com que governos locais decretassem medidas de isolamento social na região, mesmo que os números sejam bem menores dos registrados na província de Hubei no início da pandemia. Mais de 100 milhões de pessoas vivendo no nordeste do país estão sob algum tipo de restrição de movimento, segundo estimativas. Mas, mais do que uma nova preocupação para o país, essa segunda onda pode revelar detalhes importantes sobre a evolução do SARS-CoV-2. Isso porque os novos casos registrados estão sendo substancialmente diferentes dos observados em Wuhan, o que sugere mutações no patógeno.

As constatações vêm de médicos do país que acompanharam tanto o surto inicial quanto os mais recentes. Segundo Qiu Haibo, um dos principais médicos de cuidados intensivos da China que ajudou no surto de Wuhan e agora atua no nordeste do país, os novos pacientes parecem carregar o vírus por mais tempo. Eles levam mais do que duas semanas para apresentar sintomas, também demora mais para testar negativo – e curados. Isso dificulta o trabalho de rastrear os casos e impedir a transmissão, já que aumenta o tempo que uma pessoa pode levar o vírus adiante, mesmo sem sintomas.

Além disso, os próprios sintomas são diferentes. Enquanto em Wuhan vários pacientes tinham órgãos como rins, coração e intestino afetados, os novos casos parecem ter quadros mais focados em danos aos pulmões, inclusive mais severos do que os do início da pandemia. Por outro lado, menos pacientes graves – cerca de 10% – chegam ao estágio crítico da doença e precisam de entubação. Ou seja, menos gente chega ao pior estágio da doença, mas quem chega enfrenta um vírus mais agressivo. Além disso, a febre – um dos principais sintomas citados como indício da doença – já não está tão presente como nos casos iniciais, enquanto a dor de garganta e a sensação de um mal estar geral integram agora a lista dos mais comuns.

Cientistas ainda não sabem explicar exatamente o porquê das diferenças. Uma das hipóteses mais forte é que a cepa do vírus que está causando a crise no nordeste do país seja diferente da que devastou Wuhan: análises genéticas sugerem que o vírus circulando pela China agora tenha vindo da Rússia, o terceiro país com mais casos no mundo (atrás somente do Brasil e dos Estados Unidos).

Com mapeamento genético, dá para saber quando um vírus sofre mutações. Sabemos, por exemplo, que os primeiros casos registrados no Brasil vieram da Europa, pois o vírus já tinha passado por uma mutação ao imigrar da China para a Itália e a Alemanha. Acontece que sofrer uma mutação não necessariamente altera de fato alguma característica do vírus – na verdade, a maior parte das mutações não tem efeito algum. Nenhuma mutação que altere o funcionamento vírus foi identificada com certeza até agora. Os cientistas alertam, então, que é precoce afirmar que o vírus esteja ficando mais perigoso – ou menos.

Mas, se não forem mutações, o que explica as mudanças observadas nos novos casos da China? Alguns acreditam que não é o vírus em si, mas o progresso nas pesquisas. Agora, temos mais informações sobre as infecções e podemos estudar a doença melhor, incluindo a progressão dela em fases iniciais. Em janeiro, pouco, ou nada, se sabia sobre o vírus, e é possível que muitos pacientes já estivessem infectados há semanas, sem sintomas. Além disso, no pico de infecções o sistema de saúde de Wuhan ficou tão sobrecarregado que a prioridade era salvar as vidas dos pacientes graves, e não havia tempo nem recursos para acompanhar os milhares de casos leves. Não é o que acontece agora, com muito mais pesquisas sendo feitas sobre a evolução da Covid-19.

Além disso, os novos dados são de um grupo seleto e pequeno de pacientes, e são meramente observacionais: não foram publicados em revista científica, nem obtidos segundo metodologia revisada por pares. Conforme a doença se espalhou pelo mundo, vários cientistas relataram novas informações sobre a doença, como sintomas raros e diferenças na progressão do quadro clínico. Ou seja, a doença por si só é variável de pessoa para pessoas: não dá para usar os novos casos da China como parâmetro para generalizar.

Fonte: Abril

Clique para comentar

Deixe seu comentário

Mundo

Internacional: Caso de peste bubônica faz China elevar estado de alerta no norte do país

Publicado

em

Por

Autoridades registraram um caso no sábado de camponês que teria contraído a doença; muitos casos surgem após consumo de carne de marmota

Uma amostra de peste bubônica em tecido removido do gânglio de um paciente Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Autoridades na China aumentaram medidas de segurança sanitária depois que uma cidade na Mongólia Interior (região autônoma da China) confirmou um caso de peste bubônica.

De acordo com relatos de autoridades estatais, o paciente, na cidade de Bayannur, um camponês, está em quarentena e em condição estável.

Autoridades decretaram nível três de alerta — que proíbe a caça e consumo de animais que poderiam estar com a praga e pede que as pessoas reportem casos suspeitos às autoridades.

A peste bubônica, uma das doenças mais temidas no passado, causada por uma infecção bacterial, ainda é letal, mas hoje é tratada com antibióticos comuns.

O novo caso foi reportado no sábado. Ainda não está claro como o paciente poderia ter se infectado.

Fatal, mas tratável

Casos de peste bubônica ocorrem de tempos em tempos pelo mundo.

Em Madagascar, houve um surto com 300 casos em 2017.

Em maio do ano passado, duas pessoas na Mongólia morreram da peste, que foi contraída após a ingestão de carne crua de marmota.

Uma autoridade da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Ulan Bator, capital da Mongólia, disse à BBC que a carne crua de marmota e os rins do animal são usados como remédio popular no país.

A marmota é portadora da bactéria da praga e está associada aos casos da praga no país. A caça da marmota é ilegal.

A peste bubônica é caracterizada por inchaço dos gânglios linfáticos. É difícil de se identificar a doença com muita antecedência porque os sintomas — geralmente parecidos com a gripe — costumam aparecer entre três e sete dias depois da infecção.

Mas é improvável que a peste bubônica — que foi chamada de peste negra — leve a uma nova epidemia.

“Ao contrário do século 14, nós agora temos uma compreensão de como essa doença é transmitida”, disse Shanti Kappagoda, médico da clínica Stanford Health Care, ao site Healthline.

“Nós sabemos como prevenir. Também sabemos como tratar pacientes que são infectados com antibióticos eficientes.”

No século 14, a peste negra matou cerca de 50 milhões de pessoas na África, Ásia e Europa.

O último grande surto em Londres ocorreu em 1665, dizimando cerca de um quinto da população da cidade. No século 19 houve outro surto na China e na Índia que matou mais de 12 milhões de pessoas. 

Fonte: BBC NEWS BRASIL

Continue lendo

Ciência

Cientistas chineses identificam novo vírus da gripe em porcos e nova pandemia pode alastrar o mundo

Publicado

em

Por

Vírus tem potencial de se espalhar com facilidade entre a população mundial

 

Pesquisadores chineses identificaram uma nova variante do vírus da gripe, com potencial para se espalhar com facilidade entre a população mundial, no organismo de porcos criados em diversas províncias do país asiático.

O vírus suíno detectado pelos cientistas tem algumas características preocupantes. De um lado, as atuais vacinas contra gripe não parecem conferir proteção significativa contra ele; de outro, apesar da origem em animais, ele não tem dificuldades para infectar células humanas. Alguns dos criadores de porcos da China, ao que tudo indica, já pegaram o vírus e se recuperaram, a julgar pela presença de anticorpos em seu sangue.

Dados sobre a nova cepa do vírus influenza, como também é conhecido o causador da gripe, acabam de ser publicados na revista da Academia Nacional de Ciências dos EUA (PNAS), em pesquisa coordenada por George Gao, do Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças.

Gao e seus colegas integram um esforço de mapeamento epidemiológico dos vírus influenza em porcos que, entre 2011 e 2018, coletou quase 30 mil amostras de muco do focinho de porcos em dez províncias chinesas que abrigam grandes populações de suínos. Ironicamente, o trabalho foi encaminhado para publicação em dezembro de 2019, pouco antes que a crise de saúde pública causada pelo novo coronavírus ganhasse corpo na China.

Ficar de olho na evolução dos vírus de porcos é uma medida lógica porque o organismo desses mamíferos domésticos é considerado um “misturador” natural de diferentes cepas de gripe, como as que circulam em aves (tanto selvagens quanto domésticas) e em seres humanos.

Não é por acaso que a pandemia de influenza de 2009 ganhou o apelido de “gripe suína”, e sabe-se inclusive que, durante aquele episódio pandêmico, houve transmissão de mão dupla, com a gripe passando de humanos para porcos.

Diferentes formas do vírus da gripe frequentemente “embaralham” seu material genético dentro do organismo de seus hospedeiros, um processo que costuma dar origem a novas combinações, as quais podem pegar de surpresa as defesas de futuras vítimas. É o que parece ter acontecido com as novas variantes identificadas pelos pesquisadores chineses, apelidadas por eles de G4 (genótipo 4).

Assim como o vírus da gripe de 2009, os vírus G4 são classificados como H1N1 (sigla de duas moléculas importantes que compõem o vírus, responsáveis por sua entrada e saída das células infectadas). Mas eles sofreram tantas mutações que a vacina contra os vírus H1N1 já conhecidos não é capaz de neutralizá-los.

Além disso, outras moléculas do vírus vêm de misturas genéticas com duas outras cepas, uma similar à gripe de aves e outra que circulava na América do Norte. Trata-se, portanto, de uma junção de três formas anteriores do vírus influenza, numa combinação que não tinha sido vista até agora.

Experimentos feitos com células humanas e com furões (animais muito usados para estudar a evolução da gripe) mostraram que os vírus G4 infectam com facilidade esse tipo de célula e causam sintomas típicos de gripes relativamente graves. Uma análise de anticorpos no sangue dos que trabalham com criação de porcos nas mesmas províncias chineses, um grupo de mais de 300 pessoas, revelou que 10% delas parecia ter tido contato com a nova cepa.

Os especialistas defendem a intensificação do monitoramento e do controle entre suínos para evitar que o novo vírus, que tem potencial pandêmico, consiga se espalhar mais entre os seres humanos.

Via Folha – Por Reinaldo José Lopes

Continue lendo

Coronavirus

Testes de vacina contra covid-19 mostram completa eficácia, diz grupo chinês..

Publicado

em

Por

Um profissional de saúde realiza um teste para a doença de coronavírus (COVID-19) com uma mulher na Bela Vista do Jaraqui, na Unidade de Conservação Puranga Conquista, às margens do rio Negro
Imagem: BRUNO KELLY/REUTERS

O grupo farmacêutico chinês China National Biotec Group (CNBG) informou neste domingo, 28, que uma vacina contra o novo coronavírus em desenvolvimento pela empresa se mostrou capaz de imunizar todas as pessoas que receberam as doses. Participaram desta etapa 1.120 indivíduos, sendo que todos produziram anticorpos contra o vírus causador da covid-19.

“Com referência a produtos similares no passado, combinados com dados humanos existentes, sugere-se inicialmente que a nova vacina desenvolvida seja segura e eficaz”, diz o texto publicado pela CNBG na rede social chinesa WeChat.

Na nota, o grupo também disse ter construído uma fábrica em Pequim com capacidade de produzir até 120 milhões de unidades da vacina a cada ano.

Fonte: Uol

Continue lendo

Publicidade

--Publicidade--
--Publicidade--

Publicidades

--Publicidade--
--Publicidade--

Tendências

%d blogueiros gostam disto: