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Preços da soja sobem no Brasil e demanda aquecida mantém tendência de alta

Nos últimos 30 dias, prêmios subiram 30% nos portos nacionais e são combustível para as cotações

“O mercado interno é altista”, afirma o diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio sobre os preços da soja brasileira. A demanda forte pelo produto nacional já começa a refletir em preços melhores para o produto nos portos do Brasil e, segundo  Cogo, a tendência é de que o produtor tenha oportunidades cada vez melhores de comercialização. No interior, os indicativos também começam a reagir. 

Nos últimos 30 dias, os prêmios pagos pela soja do Brasil subiram de forma considerável e, apesar de ainda se mostrarem distantes dos altos patamares registrados no ano passado, têm sido importantes para referências melhores. 

Somente em Paranaguá, a referência março registrou uma alta, de 28 de janeiro a 27 de fevereiro, de 30%, passando de 40 para 52 cents de dólar sobre Chicago. A posição de entrega maio subiu 28,89%, de 45 para 58 cents.

Com isso, e apesar de um dólar que registrou uma variação limitada e dos futuros em Chicago ainda caminharem de forma lateralizada por conta da disputa comercial entre China e Estados Unidos, os preços da soja nos portos também registraram valorizações importantes. 

No mesmo período, a soja disponível subiu 2,23% em Paranguá, passando a R$ 78,00 por saca e 2,38% em Rio Grande, fechando a última quarta-feira (27), com R$ 77,30. Na referência março, R$ 78,50 no terminal paranaense e R$ 77,80 no gaúcho, com ganhos respectivos de 1,68% e 1,97%. 

“Os prêmios bateram no fundo do poço na transição de dezembro entre dezembro e janeiro e, a partir daí, acompanhando as ofertas de compras dos exportadores em relação a prêmios futuros – alguns até junho/julho/agosto – vemos uma crescente. O prêmio, a cada mês que passa, é mais alto”, diz Cogo. Algumas empresas já ofertam para entrega julho prêmios de 75 a 78 cents sobre os valores praticados na CBOT. 

O executivo explica, portanto, que a paridade da exportação da soja, portanto, acompanha esse crescimento e, que para meses mais adiante, mesmo com poucas mudanças no câmbio, já é possível ver referências de preços para o período de maio a junho entre R$ 84,00 e R$ 85,00 por saca. 

“Isso é, claramente, um sinal de um mercado interno altista, que já está refletindo o fato de que a demanda por soja brasileira vai continuar aquecida, apesar da quebra de safra no Brasil, de que a Argentina não tem como tapar todo o buraco deixado pela quebra brasileira e que os chineses estavam, de fato, esperando pela entrada da safra sulamericana para acelerar suas compras de soja e deixar de lado as compras de produto norte-americano”, explica o analista de mercado. 

E essa reação dos prêmios em pleno desenvolvimento da colheita brasileira é mais um indicativo de que, em determinado momento do ano, os exportadores e os esmagadores internos de soja irão disputar a oferta nacional – que este ano é menor – e irão antecipar uma entresafra no Brasil. 

Com vendas que este ano já batem recorde no primeiro bimestre de 2019, a diferença para o ano comercial anterior, quando o Brasil exportou quase 85 milhões de toneldas de soja, é que o volume para as vendas externas deverá ser consideravelmente menor. “Tirando a quebra e mais o consumo interno brasileiro, você não teria mais do que 70 milhões de toneladas para exportar”, acredita Cogo. 

E a conta fica em linha com os números projetados por instituições brasileiras para as exportações dessa temporada. 

Com este contexto e mantido o ritmo das vendas como é observado agora, “ou o preço sobe no porto ou sobe internamente, com o esmagador com dificuldade de encontrar produto para fazer farelo e óleo e atender à essa demanda interna.Vai haver disputa e disputa via preço”.

Novos negócios

Novas vendas da soja brasileira da safra 2018/19, porém, ainda se mostram lentas. Os produtores seguem focados em entregar o que foi previamente vendido e também se mostram um pouco mais insatisfeitos com os atuais patamares apesar das recentes altas. 

“As atuais referências de preços deverão ser as mais altas da história do país em um primeiro bimestre de um ano de quebra de safra. Com isso, é claro que o produtor vai ficar mais retraído, mais exigente, sabendo que há demanda pelo produto dele”, explica Carlos Cogo. “E ele sabe que a paridade nos meses seguintes está mais alta, que os preços adiante são mais atrativos”, completa. 

O consultor da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, compartilha da opinião de Cogo. “Os produtores estão somente  entregando contratos e segurando o grão livre, o que  segue dando suporte aos indicativos. Há um ajuste positivo nos prêmios para manter os indicativos estáveis”, afirma. 

Por Carla Mendes
Fonte Notícias Agrícolas

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