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Opinião – O Educador E A Educação Nos Dias Atuais colunista Tiago leal

Caro leitor, não é pretensão minha fazer deste espaço uma sala de aula, mas, sendo educador, vejo a necessidade de trazer à luz uma questão que está intrigando a todos os envolvidos na educação: que tipo de cidadão a escola esta formando? Tenho defendido a ideia de que a escola é o reflexo da nossa sociedade e que, como tal, ela recebe os problemas sociais atuais e precisa lidar, dentro do seu espaço físico, com situações que extrapola as paredes da sala de aula e os muros que a cercam. Calma aí, eu explico.

Quando recebemos na escola crianças com situações sociais delicadas, precisamos ter a sensibilidade para entendê-las e saber até aonde podemos cobrá-las, qual a exigência que poderemos fazer. Hoje, o maior pesadelo de gestores escolares e professores é o índice de evasão, pois ele enfraquece a escola e contribui para o baixo rendimento nas avaliações externas. Mas, como resolver isso? Na minha observação, este problema esta inteiramente ligado ao descaso social que se tem da educação, onde muitos a veem como uma obrigação mandar os filhos para a escola e não uma oportunidade de construir o próprio futuro. Aí eu volto ao início deste texto, pois esse problema extrapola os muros da escola, vem de fora, vem de casa, e acaba sobrando apenas para a escola resolver.

Uma criança que convive com problemas sociais em casa ele não vê na escola uma saída viável. Na verdade, ele nem consegue perceber a importância que a educação tem para ele. Conviver com a violência doméstica (e muitos convivem, sabemos disso), com a presença das drogas, com o descaso da família (tem muito isso também) não dá a essas crianças perspectiva alguma para o futuro e a escola passa a ser um sacrifício a mais para ele. E o educador nisso tudo, como fica? Ora, o educador é cobrado pela escola e pelo sistema de ensino por resultados, precisa cumprir com as burocracias do cargo, e ainda é cobrado pelos pais sobre o desempenho dos seus filhos. É o professor, dentro da sala de aula, quem precisa lidar com a criança que chegou com fome, que chegou machucada porque apanhou em casa, que chegou suja e desleixada. É ele que precisa ter a sensibilidade para lidar com o aluno violento, com o aluno carente e ainda ensiná-los o conteúdo necessário de cada matéria. O professor precisa lidar com um ambiente heterogêneo, diferente na sua essência e transformá-la num espaço de aprendizagem e de construção. Árdua tarefa, mas gratificante! Aqui não é um desabafo, é uma chamada ao diálogo, à reflexão. É preciso saber o papel de cada um na educação dos filhos, saber qual a função da escola e qual a obrigação dos pais.

Voltando à questão inicial, qual cidadão a escola esta formando, acredito que só com a intensa participação dos pais na escola é que poderemos formar pessoas capazes de transformar a sociedade. A escola precisa discutir questões de gênero, de raça, de credo, de orientação sexual, de respeito às diferenças, de respeito às necessidades do outro, de respeito ao meio em que vivemos. Mas essas discussões precisam também ser feita de forma madura na sociedade como um todo, pois só na escola é muito pouco. E é diante desse cenário que acredito que é impossível a escola ser apolítica, ficar à margem de todas essas discussões. Uma educação apolítica e uma educação incompleta. Mas isso é assunto para outro texto.

Por Tiago leal

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