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Nova espécie de cobra coral-verdadeira foi descoberta na zona da mata

Uma nova espécie de serpente do grupo das corais-verdadeiras foi descrita em uma revista científica alemã por pesquisadores da Universidade Federal do Acre de Cruzeiro do Sul (Paulo Sérgio Bernarde e Luiz Carlos Turci) e do Instituto Butantan (Arthur Diesel Abegg e Francisco Luís Franco). A nova espécie recebeu o nome científico de Micrurus boicora (Figuras 1 e 2) e ocorre na Amazônia no sul de Rondônia e norte do Mato Grosso. O nome “boicora” escolhido pelos pesquisadores é o nome indígena Tupi-Guarani para designar as cobras corais.

Figura 1. A espécie nova de coral-verdadeira descrita, Micrurus boicora.

Foto: Luiz Carlos Turci.

Figura 2. Vista ventral da nova espécie de coral-verdadeira descrita, Micrurus boicora.

Foto: Luiz Carlos Turci.

O primeiro exemplar desta espécie foi coletado pelo Professor Dr. Paulo Bernarde em Espigão do Oeste-RO durante seu trabalho de Doutorado. Em seguida o Professor MSc. Luiz Carlos Turci coletou outro exemplar em estudo realizado em Cacoal-RO aproximadamente 100 Km da primeira localidade e mais recentemente (Maio/2018) durante seu trabalho de Doutorado coletou outro exemplar em Alto Alegre dos Parecis-RO na fazenda chapadão do Paraíso, esses dados foram de suma importância pra conhecimento da distribuição geográfica dessa nova espécie.

Essa nova espécie de coral-verdadeira (Micrurus boicora) apresenta a coloração dorsal negra com umas poucas listras brancas, diferentemente do padrão coralino típico de outras corais (com anéis vermelhos pelo corpo) (Figura 3) e de outra espécie amazônica (Micrurus albicinctus) (Figura 4) que é também negra, mas com várias listras brancas ao longo do corpo

Figura 3. Micrurus lemniscatus, uma espécie de coral-verdadeira com padrão de coloração coralino.

Foto: Paulo Bernarde

 

Figura 4. Micrurus albicinctus, uma espécie de coral-verdadeira que não apresenta o padrão de coloração coralino típico.

Foto: Luiz Carlos Turci.

Posteriormente, começaram a realizar a descrição desta nova espécie com a parceria dos pesquisadores Francisco Luís Franco e Arthur Diesel Abegg do Laboratório Especial de Coleções Zoológicas do Instituto Butantan. A nova espécie também foi coletada pelos biólogos Adriano Martins da Silva, Miquéias Ferrão da Silva Jr (INPA) e Domingos de Jesus Rodrigues (UFMT de Sinop), que doaram os exemplares para os pesquisadores aumentarem a amostra.

Agora, após a descrição da Micrurus boicora, o Brasil passa a ter 35 espécies de corais-verdadeiras (Família Elapidae). Apesar de serem peçonhentas, apresentando veneno com efeitos neurotóxicos, as corais-verdadeiras são responsáveis por menos de 1% dos acidentes ofídicos por ano no país. Caso ocorra envenenamento pela sua mordida, a pessoa poderá sentir dor no local, formigamento, dificuldade em manter os olhos abertos, visão dupla, dificuldade de deglutição e mastigação, falta de ar. Casos graves podem evoluir para insuficiência respiratória.

Devido a diversidade de espécies de corais-verdadeiras e das não peçonhentas chamadas de falsas-corais, recomenda-se que não especialistas não manuseiem essas serpentes quando encontradas. Em caso de acidente ofídico, deve-se procurar o mais rápido possível o hospital, evitando realizar condutas inadequadas (fazer garrote ou torniquete, realizar incisões) de primeiros socorros.

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