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Mundo pode ter década mais quente da história, diz agência britânica

Aquecimento global: década pode ser a mais quente da história, diz agência britânica

Previsões do Met Office, serviço metereológico do Reino Unido, indicam que período de 2014 a 2023 será a década mais quente em 150 anos de registros.

O mundo está no meio do que pode ser a década mais quente já registrada, de acordo com um estudo do Met Office — o serviço meteorológico do governo britânico.

O serviço, cujos registros remontam a 1850, projeta que as temperaturas nos próximos cinco anos estarão até 1°C mais altas do que aquelas observadas no período pré-revolução industrial.

Há também uma pequena chance de que um destes anos registre temperaturas até 1,5°C maiores.

Este patamar é visto como um limite crítico para o aquecimento global.

Se os dados realmente corresponderem às projeções do Met Office, o período de 2014 até 2023 será a década mais quente nos 150 anos de dados da agência.

Como as projeções do Met Office podem impactar o Acordo de Paris?

Terra está ficando mais quente: últimos cinco anos foram os mais quentes da história — Foto: Nasa

Terra está ficando mais quente: últimos cinco anos foram os mais quentes da história — Foto: Nasa

Segundo o Met Office, o ano de 2015 foi o primeiro no qual a temperatura média global da superfície da Terra atingiu 1°C acima dos níveis pré-revolução industrial — geralmente, este nível é calculado levando em conta as temperaturas entre os anos de 1850 e 1900.

Em todos os anos desde 2015, a temperatura média global ficou próxima ou ligeiramente acima desta marca de 1°C a mais. Agora, o Met Office afirma que esta tendência deve se manter ou até se fortalecer nos próximos cinco anos.

“Acabamos de fazer as previsões deste ano e elas vão até 2023 e o que sugerem é um rápido aquecimento global”, disse o professor Adam Scaife, chefe de previsão de longo prazo do Met Office.

“Olhando individualmente para cada ano nessa previsão, podemos ver agora, pela primeira vez, que há o risco de uma superação temporária, e repito, temporária, do limiar de 1,5°C estabelecido no acordo climático de Paris.”

Em outubro passado, cientistas da ONU publicaram um relatório sobre os impactos de longo prazo de um aumento de temperatura de 1,5°C.

Eles concluíram que seria necessário um grande esforço de corte de carbono para impedir que o mundo ultrapassasse esse limite até 2030. Agora, a análise do Met Office diz que há 10% de chance de isso acontecer nos próximos cinco anos.

“É a primeira vez que as previsões mostram um risco significativo de superação – que é apenas temporária. Estamos falando de anos individuais variando acima do nível de 1,5 grau”, disse o professor Scaife.

“Mas o fato de que isso possa acontecer nos próximos anos devido a uma combinação de aquecimento geral e flutuações devido a eventos como os do El Niño significa que estamos chegando perto desse limiar”.

Quão confiante está o Met Office sobre sua previsão?

O registro das mudanças na Terra pode ajudar até na busca por vida em outros planetas, garantem os cientistas. — Foto: BBC

O registro das mudanças na Terra pode ajudar até na busca por vida em outros planetas, garantem os cientistas. — Foto: BBC

O serviço diz que tem um patamar de confiança de 90% nas previsões para os próximos anos.

Segundo o Met Office, de 2019 a 2023, veremos temperaturas variando de 1,03°C a 1,57°C acima do nível de 1850-1900, com aumento do aquecimento em grande parte do globo, especialmente em áreas como o Ártico.

A equipe de pesquisadores diz que está bastante segura de suas previsões por causa de experiências passadas. Sua previsão anterior, feita em 2013, já havia mencionado a rápida taxa de aquecimento que foi observada nos últimos cinco anos. Previu também alguns dos detalhes menos conhecidos, como a mancha de resfriamento observada no Atlântico Norte e os pontos mais frios do Oceano Antártico.

Se as observações do Met Office para os próximos cinco anos corresponderem às expectativas, a década entre 2014 e 2023 será a mais quente em mais de 150 anos de registros.

E o que disseram outras agências climáticas?

Planeta Terra fotogrado durante a missão Apollo 17, em 1972 — Foto: Nasa

Planeta Terra fotogrado durante a missão Apollo 17, em 1972 — Foto: Nasa

A previsão do Met Office vem ao mesmo tempo que várias agências publicam suas análises sobre as temperaturas observadas em 2018, mostrando que o ano foi o quarto mais quente desde que os registros começaram.

Dados divulgados nesta quarta pela Nasa e pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (Noaa, na sigla em inglês), instituição governamental dos Estados Unidos, ressaltam esse panamora e informam que 2015, 2016 e 2017 foram os outros três anos mais quentes.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) publicou uma análise de cinco grandes conjuntos de dados internacionais, mostrando que os 20 anos mais quentes já documentos aconteceram nos últimos 22 anos.

“As temperaturas são apenas parte da história. O clima extremo e de alto impacto afetou muitos países e milhões de pessoas, com repercussões devastadoras para economias e ecossistemas em 2018”, disse o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas.

“Muitos dos eventos climáticos extremos são consistentes com o que esperamos de um clima em transformação. Essa é uma realidade que precisamos encarar. A redução de emissões de gases do efeito estufa e as medidas de adaptação ao clima devem ser uma prioridade global”, afirmou.

Outros pesquisadores da área disseram que a nova previsão para os próximos cinco anos está alinhada com as expectativas, dado o nível recorde de CO2 bombeado para a atmosfera em 2018.

“A previsão do Met Office, infelizmente, não é uma surpresa”, disse Anna Jones, química do British Antarctic Survey, órgão responsável pelos interesses do Reino Unido na Antártica.

“Temperaturas médias em todo o mundo estão em um recorde de alta, e tem sido assim por vários anos. Elas são impulsionadas predominantemente pelo aumento das concentrações de gases do efeito estufa, como o dióxido de carbono, que resultam do nosso uso contínuo de combustíveis fósseis”, disse.

“Até reduzirmos as emissões de gases do efeito estufa, podemos esperar tendências de alta nas temperaturas médias globais”.

Fonte: G1

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