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Cafeicultores de Rondônia participam de concurso de qualidade do café em Minas

Elevando o nome de Rondônia para representantes internacionais, sete cafeicultores do estado participarão dos dias 7 a 9 de novembro da Semana Internacional de Café, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Lá, os produtores selecionados serão avaliados no concurso Coffee Of Te Year, que classifica a qualidade do café cultivado por eles.

Os contemplados são Diones Bento (Cacoal), Suzi Aparecida (Novo Horizonte), José Alves Dias (São Miguel), José Luiz Pezzin (Santa Luzia D’Oeste), Nicácio Rufino (Nova Brasilândia), Vagner Tupari (Alta Floresta) e Valdir Aruá (Alta Floresta), concorrendo entre mais de 400 cafeicultores do país.

Todos participaram do Concafé deste ano, concurso promovido pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Rondônia (Emater-RO), e ficaram entre os melhores cafés produzidos no estado. Dois deles são indígenas que cultivam o grão nas aldeias de origem das tribos Aruá e Tupari, e foram qualificados pela qualidade e sustentabilidade da produção.

Essa é a terceira vez que Rondônia participa do evento. No ano passado nossos produtores conquistaram o segundo, terceiro e quarto lugar no concurso. “As notas são divididas em 20% com a avaliação de degustadores oficiais, 20% dos compradores e 60% do público da feira. Em torno de 15 mil pessoas circulam por lá. Essa somatória elege o melhor café do ano e no último dia é divulgado o resultado”, explica o extensionista rural da Emater, Janderson Dalazen, que faz parte da banca de degustadores.

O credenciamento de Dalazen foi emitido pela Associação Americana de Cafés Especiais, com o certificado do curso Q Robusta Grader. A nota de um degustador tem a mesma validade internacionalmente, sendo considerados especiais os cafés que alcançam média acima de 80 pontos. Os degustadores avaliam os principais atributos para o café amazônico ser considerado especial.

“O sabor tem notas achocolatas, com alguns toques amadeirados, e a gente coloca dentro sabor, relacionando à questão amazônica, identificamos algo que lembra a bacaba, um fruto de uma palmeira típica da região. É um café bastante encorpado que tem se destacado nas xícaras. Quem gosta de café de qualidade bebe além do que está na xícara, bebe também a história de como ele foi produzido e o café de Rondônia tem uma história incrível. É produzido no meio da floresta amazônica, sendo trabalhado todos os critérios da sustentabilidade, com a conservação do solo, evitando o desmatamento ao máximo e o uso de produtos químicos”, declara o degustador.

Como o público vota

Quando começa a feira, ficam expostas as garrafas de café, cada uma com um código. “O credenciado a participar da feira, utiliza aquele código pra votar sem saber quem é o produtor. É uma votação do público é às cegas, o café é avaliado pelo sabor, o que representa os 60% da nota final”, completa Raphael Cidade, extensionista rural da Emater.

Rondônia conta com estande na feira, e a participação de órgãos envolvidos faz do espaço uma significante participação. Cerca de 25 pessoas compõem a comitiva do estado, contando com representantes da Seagri, Sedi, Emater, Sebrae e Embrapa. “Os produtores classificados em Rondônia estarão lá mostrando o produto e podendo apresentar aos visitantes da feira como é desenvolvida a produção, o manejo adotado, e isso gera uma troca de experiências muito interessante para nossos cafeicultores, além das palestras e a abertura de novas possibilidades de exportação, já que muitos compradores de outros países também passarão pelo local”, acrescenta Raphael.

Segundo o extensionista, há três anos o governo motivou o produtor com a doação de mudas de café clonal, e pela Emater, o acesso ao crédito rural é fácil, com taxas de juros menores, facilitando a parte de documentação. A parceria com a Embrapa para levar o conhecimento científico para os produtores também trabalha junto a esse crescimento, além do próprio cafeicultor que acredita no potencial do café de Rondônia.

“Nós estamos quebrando paradigmas sobre a produção do estado. As pessoas olhavam para nós como quem produz café de má qualidade. Mas esse olhar da indústria tem mudado nos últimos dois anos. Eles já sabem que nós temos bom café. O incentivo é para a produção de qualidade, mudando o ciclo do café ruim para essa nova fase de produção. O concurso potencializa a nossa produção para o mundo”, diz Raphael.

Em 2017, o rondoniense vencedor do segundo lugar vendeu por R$ 1.500 cada saca. “O preço da saca sai em média R$ 300, e com a mudança e reconhecimento internacional da qualidade, nós estamos criando um nova identidade para o café de Rondônia”, conclui o extensionista.

Texto: Vanessa Farias
Fotos: Frank Nery

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