conecte-se conosco

Agronegócio

Cafés especiais ajudam produtores de Minas a conquistar novos mercados

Publicado

em

Agricultores investem em processos para beneficiar os grãos e conseguir certificados de origem

Cafeicultores da região do Cerrado Mineiro, no noroeste do estado, estão expandindo o cultivo de grãos especiais e apostando em um certificado de origem para valorizar sua produção e conquistar novos mercados.

Para ser chamado de especial, o café deve ser livre de impurezas e seguir parâmetros de aroma e sabor (ter acidez equilibrada, por exemplo), entre outras exigências, de acordo com a Associação Brasileira de Cafés Especiais.

O investimento nesse cultivo atende a uma demanda crescente. Segundo estimativa da entidade, o consumo nacional de cafés especiais aumentou 15% entre 2018 e 2019, chegando a 72 mil toneladas. Na fazenda Semente, no município de Patrocínio, a duas horas de Uberlândia, o plantio desses cafés começou há dois anos. Na última colheita, os grãos especiais representaram cerca de 10% da produção.

Virgínia Siqueira, 50, dona da propriedade, diz que o café especial ajuda a abrir mercados, mas requer mais cuidados que o produto comum, da lavoura à armazenagem. Para conseguir cafés de nível superior, muitas vezes é preciso fazer a colheita manual, na qual são selecionados com maior precisão os grãos maduros, que vão proporcionar doçura à bebida.

A família da agricultora atua no Cerrado Mineiro desde os anos 1970, quando a cafeicultura se iniciou por ali, segundo a Federação dos Cafeicultores do Cerrado. “Naquela época, ninguém acreditava que era possível produzir um produto de qualidade na região”, afirma Virgínia.

Mas avanços foram conseguidos com a adição de calcário para corrigir o solo ácido e com o desenvolvimento de sistemas de irrigação, entre outros processos. Cerca de 40 anos depois do início do plantio, a área —que compreende 55 municípios, entre eles Patrocínio— conquistou a denominação de origem Região do Cerrado Mineiro, a primeira voltada a cafés no país.

Regulamentado pelo Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Industrial), o título indica que os grãos produzidos ali têm características exclusivas, relacionadas àquela localidade e ao conhecimento dos seus produtores. Para obter a denominação, o cafeicultor precisa cumprir uma série de exigências. Por exemplo: plantar grãos da espécie arábica e produzir um café com no mínimo 80 pontos
na escala que vai de zero a cem da SCA (Specialty Coffee Association). A classificação considera diferentes critérios, como aroma, sabor, acidez e maturação dos grãos.

O café especial, com selo denominação de origem, é usado pelo cafeicultor para mostrar a qualidade da sua produção. Mas é comum que ocupe só uma parte da lavoura, em razão do maior rigor exigido, diz o engenheiro agrônomo Juliano Tarabal, superintendente da Federação dos Cafeicultores do Cerrado. Também de Patrocínio, o cafeicultor Alan Michel Batista, 21, estima que 20% dos 13 hectares de sua fazenda sejam dedicados a grãos com selo de denominação de origem.

Alan decidiu cultivar cafés especiais há dois anos, para renovar a produção familiar, que começou com seu avô. “Investimos aos poucos porque ainda é um mercado em fase inicial. Mas, com os
resultados, já deu para aumentar a produção”, diz ele, que trabalha ao lado da mãe, Geralda Francisca Batista, 51.

O agricultor recebe, em média, R$ 480 pela saca (60 quilos) de café comum. A de especial pode chegar ao triplo desse valor. Para aprimorar a produção, Alan construiu um terreiro suspenso, no qual os grãos ficam em uma espécie de cama elevada feita com telas, que proporciona uma secagem mais lenta e homogênea.

O processo difere do método mais comum, chamado de terreiro, feito no chão de um pátio. O investimento de R$ 7.000 na estrutura foi pago em cerca de um ano. No fim de 2018, Alan lançou a Alado, sua marca própria de café, como forma de se aproximar de cafeterias e se destacar no setor —a maioria dos cafeicultores comercializa somente o grão verde.

A ideia de estreitar o contato com o consumidor final também é compartilhada por Gabriel Nunes, 30, da Nunes Coffee. Para ele, hoje há um interesse maior em relação ao café, em um movimento parecido com o que já aconteceu com vinhos e queijos. Formado em agronomia, Gabriel deu novos ares à produção da fazenda, fundada em 1984 por seu pai, Osmar Pereira Nunes Júnior, 54, com quem divide a liderança do negócio.

O agrônomo introduziu um trabalho de mapeamento de variedades (são 32 em teste e 15 usadas comercialmente) e montou um laboratório para fazer controle biológico de pragas e doenças, reduzindo em 30% o uso de defensivos. Desde 2014, ele também faz a fermentação do café, técnica que vem fazendo sucesso entre baristas. Nela, os grãos são colocados para fermentar em tanques, em um processo que reúne diferentes variáveis —entre elas, o grau de amadurecimento do grão, o tipo de variedade usada e o cálculo do tempo de fermentação.

O resultado são bebidas com um perfil frutado difícil de conseguir no processo convencional, explica Garam Um, dono da Um Coffee Co, cafeteria que tem quatro unidades em São Paulo. Com um de seus cafés fermentados, Gabriel participou, em 2017, de um concurso com cafés brasileiros seguido de um leilão da Cup of Excellence, composto por um júri internacional. Ele faturou R$ 55 mil por cada saca —o que ajudou a renovar a estrutura da fazenda.

Muitos cafeicultores da região começaram a reservar uma parte da produção de café especial para ser enviado a concursos. “Ficar entre os finalistas ajuda a potencializar o negócio”, afirma Alan. Para ele, o mercado de cafés especiais é um caminho para rentabilizar toda a produção. “Como somos pequenos produtores, fazer essa transição é essencial porque nos ajuda a melhorar o retorno financeiro”, diz.

Fonte: Folha de São Paulo

Continue lendo
Clique para comentar

Deixe seu comentário

Agronegócio

Cultivo de cacau traz renda e sustentabilidade ambiental para Rondônia

Publicado

em

Por

Rondônia possui uma área plantada de 12 mil hectares de cacau, de acordo com dados da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri), e quase totalidade destes cultivos são de plantas convencionais, originarias de sementes, que aos poucos são substituídas por clones de alto rendimento, à semelhança do que vem ocorrendo de modo acelerado na cafeicultura.

A lavoura do cacau em Rondônia deverá tomar novo impulso a partir das iniciativas do governo do Estado, por meio da Seagri, que tem se juntado à Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) e à Emater-RO, para incentivar os produtores a substituir os 12 mil hectares de cacau plantados no Estado, por plantas originárias de clones, altamente produtivos, trazidos do estado da Bahia.

A exemplo do que está acontecendo na cultura do café, cujas lavouras em alguns casos até triplicaram a produtividade, puxando o crescimento da produção, que em 2013 era de 1.357.000 sacas por hectare, e em 2019 chegou a 2.122.000 sacas de café. A mesma evolução é esperada para a cultura do cacau, cuja produtividade média no estado, em lavouras convencionais originárias de sementes, é de 530 quilos por hectare segundo dados da Seagri/Emater-RO, mas em lavouras originárias de clone chega-se a produzir até 3 mil quilos por hectare.

Considerando-se os dados acima, tem-se uma perspectiva otimista para a cultura do cacau em Rondônia, ainda mais, quando se verifica que o cacau é uma planta nativa da Amazônia, compatível com todos os modelos de sistemas agroflorestais. E que pode ser contada para fins reposição florestal, apoiando o produtor na solução de questões ambientais.

O cacau é uma cultura que possibilita um enorme leque de oportunidades para agregação de valores no processamento do produto, desde a produção artesanal de chocolates, licores e geleias, até a comercialização de amêndoas em grande escala, para as indústrias de outros estados e países, favorecendo a economia rondoniense, com a entrada de divisas.

Em um esforço comum, o secretário de agricultura Evandro Padovani, o diretor-presidente da Emater-RO, Luciano Brandão, e o superintendente da Ceplac,  João Batista Nogueira, têm buscado investir na divulgação das tecnologias de melhoria da produção cacaueira, utilizando todas as vitrines disponíveis, e recursos humanos.

Para tanto, já foram capacitados 73 técnicos da Emater-RO, de todos os municípios, para orientar os produtores interessados em revitalizar suas lavouras ou formar novos cultivos, com o uso da tecnologia clonal de propagação de plantas.

 Fonte: Secom – Governo de Rondônia

Continue lendo

Agronegócio

Governo de Rondônia entrega mais de 12 mil mudas de café clonal

Publicado

em

Por

Produtores do município de Candeias do Jamari recebem mais de 12 mil mudas de café clonal

O governo de Rondônia entregou mais de 12 mil mudas de café clonal para agricultores rurais do município de Candeias do Jamari, durante solenidade realizada na quinta-feira (16). Foram entregues aos agricultores mudas clonais de café do grupo robusta, cultivar conillon, de alta produtividade.

Essa ação do governo tem o objetivo desenvolver a agricultura familiar, aumentar a renda dos pequenos produtores rurais e incentivar a permanência do homem no campo, além de melhorar as condições de produção. Cerca de oito cafeicultores da agricultura familiar do município foram beneficiados.

A ação faz parte do programa “Plante Mais”, que visa fortalecer a cafeicultura em Rondônia. O aumento do consumo de café no Brasil fez crescer o interesse dos agricultores pelo plantio de cafeeiros, em praticamente todos os municípios. Candeias do Jamari não dispõe de recursos orçamentários para a aquisição de mudas clonais de café para atender a grande quantidade de agricultores familiares interessados no cultivo dessa atividade. Para ajudar o município, as mudas adquiridas e disponibilizadas pelo governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri), irão contribuir para amenizar a dificuldade no atendimento a esses produtores rurais.

“Realmente nós estávamos precisando desta ida até o homem do campo e desenvolver o setor exatamente como é preciso. A agricultura é que sustenta nossa cidade, o brasil inteiro e o mundo. E nós queremos fortalecer a nossa agricultura local, com o plantio de café, cacau e muito mais. Temos trabalhado muito para nosso município e vamos continuar”, disse o prefeito de Candeias do Jamari, Lucivaldo Fabrício de Melo.

Produtor recebe das mãos do secretario de Agricultura, Evandro Padovani, mudas de café clonal

De acordo com o secretário da Seagri, Evandro Padovani, a aquisição de mudas clonais é uma estratégia do governo de Rondônia para revitalizar as lavouras cafeeiras em todo o Estado. O objetivo é substituir as lavouras convencionais formadas a partir de mudas feitas por sementes, que apresentam produtividade baixa, em torno de 25 a 30 sacas por hectares, por lavouras modernas, implantadas com mudas clonais, com manejo tecnológico adequado, cuja produtividade gira em torno de 80 a 100 sacas por hectare.

“Agora é hora de plantar café. Nosso objetivo é potencializar os agricultores deste setor. Essas mudas precisam ser plantadas o mais rápido possível, com carinho, cuidado e orientação técnica. O governador coronel Marcos Rocha tem se dedicado muito em apoiar o setor produtivo, e muitas coisas boas virão ainda nesse ano da agricultura, em parceria com as prefeituras para benefícios dos produtores”, relatou Evandro Padovani durante a solenidade de entrega.

A assistência técnica para o plantio das mudas de café podem ser solicitadas através da Entidade Autárquica de Assistência técnica e Extensão Rural (Emater-RO), que visa ajudar na coleta de solo para análises, espaçamento adequado de plantio, entre outras dificuldades que podem surgir aos produtores.

Todas essas mudas para chegar até o produtor foram atestadas pela Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron), sendo livres de nematoides e doenças.

Fonte
Texto: Seagri
Fotos: Rinkon Martins e Daiane Mendonça
Secom – Governo de Rondônia

Continue lendo

Agronegócio

Banco da Amazônia prevê investimentos acima de R$ 2 bilhões para Rondônia

Publicado

em

Por

Para 2020, o Banco da Amazônia disponibiliza R$ 9,9 bilhões para a região Norte, sendo R$ 2,04 bilhões para o desenvolvimento econômico e social no estado de Rondônia, conforme acentua o superintendente da instituição, Wilson Evaristo.

Desenvolvendo um forte papel social, com objetivo de incrementar o crescimento dos pequenos e médios produtores rurais, foram destinados R$ 860 milhões para agricultura familiar, os demais recursos para investimentos na indústria, comércio e agronegócio de precisão, soja, milho, bovinocultura, café e peixe.

Com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO), e apoio do governo federal, incentivando as políticas público-privadas, a parceria entre o governo de Rondônia e o Banco da Amazônia vem contribuindo para o desenvolvimento sustentável.

O volume de recursos disponíveis vem ao encontro das propostas para induzir as boas práticas de produção, possibilitando aumentar a produtividade no campo e áreas urbanas, reduzindo a pressão sobre as florestas.

ATRAIR INVESTIDORES PRIVADOS

No ponto de vista do secretário de Agricultura, Evandro Padovani, “isso é bom porque serve para atrair empresários e motiva a instalação de indústrias no Estado, gerando emprego e benéficos sociais neste momento em que o país está recuperando a credibilidade”.

Padovani lembra que a disponibilidade de crédito rural é alta na região, mas por causa da falta de documentação necessária, muitos produtores não conseguem acessar as linhas de crédito.  Mesmo com as taxas de juros caindo para os financiamentos de longo prazo, isso demonstra, de acordo com o secretário, a necessidade de o governo federal agilizar a regularização fundiária, principalmente em Rondônia, que tem forte vocação para o agronegócio.

De uma maneira ou de outra, as linhas de crédito estão à disposição, dos grandes, médios e pequenos produtores rurais. “Vamos aproveitar esses recursos para realizar negócios na 9ª Rondônia Rural Show Internacional”, finalizou Padovani.

Fonte: Secom – Governo de Rondônia

Continue lendo

Publicidades

Tendências

%d blogueiros gostam disto: